CORRESPONDÊNCIAS QUASE DIÁRIAS – SENSAÇÕES ATEMPORAIS…(4)



Algum lugar de mim, 21 de abril de 1941.

Sou muito direta!
Muitas vezes doçuras passam longe de mim.
Estou longe de ser uma pessoa daquelas – cheias de melado – que se derrete com tudo. Já fui assim, mas as agruras constantes, ininterruptas da vida, fizeram com que eu mudasse um pouco e, ou eu mudava ou não dava conta de resolver as situações.

Enfim, fui me refinando com o tempo, ficando mais áspera e sem meias palavras.

Gastei todas as figuras de linguagem com meus dias e hoje economizo algumas delas usando-as somente nas poesias.

O AMOR romântico se foi, sobrando apenas o AMOR consciente, digno, verdadeiro…

Ah! Meu querido! Ainda bem que me resta um mínimo de ti, assim, esparso, que penso com parcimônia, para que não desgaste com o tempo.

Não te aborreças.
A vida endurece a todos, por suas faltas em respostas, em explicações.
São muitas procuras vazias.

Na verdade ando tão intransigente comigo e com quase tudo a minha volta.

Já me passam desapercebidos os natais… as estações do ano. E eu que gostava tanto dos outonos… até eles me são enfadonhos.

Quase tudo me é desnecessário. Há míseras faltas. Na verdade não me falta nada, uma vez que o tudo já se foi há tempos…

Outrora fui feliz! Hoje apenas sigo por pequenas réstias de alegrias.

Dá-me tua mão, ainda que uma só! Já me basta!
Dá-me teu coração ao ler estas linhas, mas que não sintas pena de mim. Apenas compreenda que os dias passam e vão tirando as cores vivazes da primeira pintura da nossa alma. Vamos nos tornando paredes amarelecidas. É inevitável.

Apenas abraça minhas palavras e me console chamando pelo meu nome dentro de ti.

Cuida de mim em teu coração que isto é o que me resta e o que me salva.

As forças se extinguem e eu me deixo e te deixo por aqui…

Um leve beijo e um breve abraço

Penélope

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