Hoje quero minha mente vazia.
Espaços para abrigar os nadas.
Os cheios me sufocam, roubando as fendas onde poderia guardar poeiras mágicas ou teias cintilantes, qualquer coisa assim, sem valor.
O total sufoca-me os interstícios, apagando os sonhos e os desejos.
Hoje quero apenas metades, onde possa passear pelo vago branco, pelo marasmo do não pensar.
Quero a mente apagada dos tempos que se dividem – passado… presente… futuro…
Preciso de um olhar no escuro. Uma imensidão oca, na qual possa colocar um pouco mais de mim.