Ah! E os teus cílios roçando meus olhos fechados…
Tua boca quente passeando em versos verdes da poesia, no fundo da minha cama – grama molhada a abrigar nossas pernas enlaçadas entre músculos e sensações.
Ouvir a música suspensa em pautas douradas, tua voz, que me abraça os vazios e os medos.
Meu eu lírico, evocativo e sensorial, em grande intimidade de ternura e entrega.
Eu, adornada de metáforas que se expandem, nessa união física e emocional.
Nessa manhã amena, a sensorialidade do toque, da temperatura…
Uma visão sinestésica dos meus versos verdes entre as pautas douradas.
Frescor e rusticidade que se desmancham num refúgio abstrato.
Momentos de um oceano emocional, quebrando ondas vigorosas num tapete de areia.
Minha cama – um mar intenso de águas salgadas e coloridas.
Como explicar esse misto de erotismo suave e afeto denso?
Sentimentos de amor e conforto que se estendem, longamente, mesclando a madrugada e o despontar do dia.
Um bocejo.
A paixão.
A chama invisível atrás de uma cortina translúcida.
Meu coração e seu palpitar.
Meu corpo abnegado e flutuante de tanto amar…
Amar, o roçar dos teus cílios nos olhos meus…
Olhos inebriados, fartos e alimentados pelo brilho do teu olhar.




