DELÍRIOS…

Bem mais que menina e, sem ser bailarina,

ela baila, em pés desnudos, o trajeto das coristas.

Atrás dela, prateadas cortinas, em transparentes fitas de cristal.

 A sua frente a plateia amorfa, congelada em pura fleuma.

Mesmo assim ela dança e guarda consigo a lágrima quente

que um dia derreterá a gélida multidão.

Assim leva a vida… ou será que é a vida quem a leva?

pelos teatros espalhados pelo seu mundo,

no qual distribui seu coração…

onde canta suas histórias, onde revela sua memória e,

oferta, no final de cada ato, delicadas flores de organdi.

Mas, apenas um espectador a detém

e a faz refém dos seus delírios…

Porém, ele nunca agarra a flor.

Suas mãos estão sempre vazias,

prontas para tocarem a dançarina…

E, basta que ele a olhe para que seu corpo estremeça por inteiro,

pois somente diante deste ato inconsciente ela se refaz

e fica pronta para a próxima noite, que não tarda por chegar.

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