Trata-se de uma nova compilação de poemas, que escrevi, nos últimos seis meses, diante de dias adversos, onde só as palavras conseguiram me alimentar.
Versos de última hora são composições simples, quase ingênuas, com uma semântica aparentemente óbvia, sem intenções.
Versos meticulosamente soltos, jogados ao acaso sem a pretensão de ser poesia que, diante da vida vivida, quer só sair e brotar, depois florir diante dessa minha nata melancolia.
Melancolia precisa de flores coloridas que desenhem a extensa margem dos sonhos, quando estes são escuros.
Melancolia não é dor. É só uma sensibilidade aguda, não compreendida por tantos.
Não é estado de pranto, afinal, choro somente de emoção.
Melancolia não é tristeza e nem raiva, mas é um sentir e sentir-se profundo, daquilo que dentro de mim não dá para estancar.
São luzes, plânctons fora do mar, sargaços, fendas, vãos, intermitências, carências, asperezas, delicadezas incompreendidas, gentilezas não recebidas, dissabores, estigmas, cicatrizes vívidas e desbotadas, infinitas sinapses que não se conectam com os neurônios, fluição, fruição e silêncios – extensos silêncios tão necessários para preencher os vazios que conheço e desconheço.
Assim escrevo e subscrevo-me para aqueles e, somente àqueles que se propõem, com generosidade, a desbravar a alma do outro, com profundo carinho e complacência, como se a alma fosse toda sua, toda própria.
Declaro uma redenção de mim mesma, que preciso tanto de paciência para edificar em mim um oratório sagrado composto por deuses que desconheço – deuses maiúsculos e minúsculos e muitas, talvez infinitas, poesias…
E, na última hora, percebo que esqueci de tantos outros versos, então me atrevo a juntar todas as linhas já desenhadas, rabiscadas e com elas componho uma outra sinfonia com poemas feitos de pó…




