Cansei da lua cheia
Quero o sol que incendeia
E aquece os calafrios que correm por mim.
A cor amarelo-prata saturou as minhas retinas
Preciso dos dourados raios
Cheios de purpurina
Quero rodopiar
Aprender todos os passos das bailarinas
À meia-ponta ou ponta inteira
Quero florir nas cores rosas das cerejeiras
Contornar as bordas do infinito
Sair de vez dos sonhos aflitos
Com os braços em riste
Ostentando a saia cintilante de frufru
Sem sequer fazer um espacato
Quero me livrar de todo o recato
E com força libertar o meu ser
E entre as vias da liberdade
Nos fios densos que cercam as calçadas
Numa noite desenluarada
Com a alma resplandecente em brasas
Hei de seguir em cavalgada
Deitar sobre a relva molhada
Aguardando pelo mais belo amanhecer.




