Na tarde de sexta-feira, 29 de agosto, estiverem presentes na capital mineira, vários escritores de Varginha.
O evento foi simbólico e o objetivo foi construir pontes com escritores de Belo Horizonte e registrar, na Biblioteca Estadual, a memória literária dos autores mineiros.
As atividades aconteceram na sede da Associação dos Eletricitários Aposentados e Pensionistas da Cemig e Subsidiárias – AEA-MG, numa tarde ensolarada, onde escritores, membros da APESUL – Associação de Poetas e Escritores do Sul de Minas puderam confabular, num lindo SARAU, lançamentos de obras, leituras de contos e poesias, reconhecerem-se, enquanto pares, para alinhar um caminho LITERÁRIO, onde o ato de LER e ESCREVER seja realmente respeitado e democratizado, de fato e de direito.
A luta pelo espaço, no segmento literário tem sido árdua, pois, com os grandes avanços tecnológicos e concorrendo com mecanismos como a escrita por Inteligência Artificial, a construção do processo de leitura e escrita tem sofrido uma disruptura sem precedentes.
No evento também foram discutidas novas formas de efetivar uma participação mais massiva, dos escritores independentes e, consideramos ESCRITORES INDEPENDENTES aqueles que arcam com os custos totais de suas obras, sejam elas confeccionadas inteiramente pelo escritor ou com a participação de pequenas editoras, em feiras, festivais e também a possibilidade, ainda que remota, das grandes BIENAIS.
Foi momento propício para reflexões sobre os meandros da LITERATURA, que envolvem inúmeras especificidades profissionais, onde todos ganham, menos aquele que é o produtor intelectual de suas obras.
Atualmente muitas celebrações são realizadas utilizando o nome da literatura, a maioria delas promovidas por pequenas, médias e, até mesmo, grandes editoras e agências produtoras de eventos culturais, que se especializam, de forma invasiva e desrespeitosa, em relação àquele que alimenta a cadeia, pois não há lançamentos literários sem a figura, ainda que hoje, utilizando-se de artifícios tecnológicos, do ESCRITOR.
Encontros como esse, que ocorreu numa tarde de sexta-feira, tem a premissa de fortalecer o segmento cultural mais desvalorizado, pois muitas vertentes não consideram a LITERATURA como ARTE, sendo assim, seja em editais de fomento à cultura ou nas políticas públicas, projetos destinados à LEITURA E ESCRITA, em sua maioria, acabam recebendo os menores valores e, na balança de pareceristas, sempre ficam no fim da fila.
O que empresas especializadas em promoção de atividades literárias e editoras têm feito com os escritores que são, ainda, ilustres desconhecidos, é abominável e vergonhoso, pois se prevalecem dos desejos que cada autor tem, de ver sua obra publicada, para se fortalecerem como meros prestadores de serviços, dentro de um contexto social capitalista e, para ser absolutamente clichê – SELVAGEM.
Não foi um simples encontro, um momento vazio, que se concretizou para mera troca de figurinhas. Não! Foi muito além.
O escritor precisa conhecer todo os processos envolvidos, desde o ato criativo de elaboração de sua obra literária até seu lançamento e que, esse processo todo, não termina ai.
O lado mais perigoso e explorado depois de uma obra passar por um processo editorial é como ela será comercializada pelo escritor e pela editora que ele escolheu para chamar de sua.
É nesse momento que acontece a derrocada do escritor independente que não conhece os mecanismos e, por não conhecê-los, acaba ficando refém de um sistema que trabalha única e exclusivamente para si.
Já parou para pensar ou pesquisar quantas editoras se estabeleceram, no mercado, nos últimos cinco anos?
Já pararam para pensar quantas fórmulas mágicas elas oferecem e, essas mesmas fórmulas desaparecem depois da entrega dos livros?
Como escritora, tive um dos meus livros em distribuidoras enormes que, depois de pesquisar descobri que quase 500 exemplares tinham sido vendidos e eu não recebi um tostão por isso. O desgaste judicial sempre é frustrante e inóquo, porque, lojas virtuais, são TERRAS DE NINGUÉM.
O importante é que, BELO HORIZONTE abriu portas e compilou novas ideias e possibilidades.
A APESUL agradece a PREFEITURA DE VARGINHA, ao prefeito Leonardo Ciacci, que compreende o quanto os eventos culturais são valiosos e, acrescentam e corroboram para a DEMOCRATIZAÇÃO absoluta das oraturas e literaturas.
Fica também o agradecimento à Associação dos Eletricitários de Minas Gerais, que generosamente nos abriu o espaço, por intermédio do escritor Adalton Cristino Borges.
Agradecimentos ao amigo e Deputado atuante no Setor Cultural, Professor Cleiton Oliveira, que também teve participação importante na viabilidade do evento.
Por fim, nossa gratidão ao grande companheiro Rodrigo Starling e sua esposa Gisele, ambos do meio editorial, porém com um diferencial – são escritores e não apenas meros empresários que replicam obras ou as comercializam indiscriminadamente.
Que esse evento se estenda para mais escritores, onde todos tenham sua voz ouvida e compreendida, porque, como dizem muitas bandeiras: NÃO FALE DE NÓS SEM NÓS.
Não usem o nome da LITERATURA sem terem, de fato, aqueles que são seus DETENTORES – o ESCRITOR e o LEITOR.
Respostas de 7
Prezada Malu,
novamente você foi muito feliz nas palavras, pois o Encontro de Escritores em Belo Horizonte foi mais que especial; uma porta de entrada aberta para acolher a todos aqueles que sonham, desejam ou que já atuam na arte literária.
No encontro confirmamos a diversidade, a vontade, a dificuldade, mas além a alegria e o prazer de quem se doa em favor das artes literárias.
Todos os presentes, e todos aqueles, que assim como você, e por motivos justificádeis, não puderam participar diretamente do evento, contribuiram para o seu êxito.
Foram muitos os talentos e capacidades expostas com sinceridade e que irão produzir muito além do que se imagina, pois assim como foi falado por um dos participantes ao final do encontro: “o escritor independente, acima de tudo é um revolucionario. ”
Abraços!
Adalton, agradeço as generosas palavras e parabenizo a sua participação efetiva, nos últimos temos. Ainda que sejamos poucos, acredito que só se estabelecem pessoas e coisas que possuem consistência, pois tudo mais o vento leva.
São momentos em que repensamos a literatura e na prática mostramos o papel do escritor independente que vem sendo engolido pela máquina e pela ganância de alguns editores e produtores culturais. Só juntos podemos abrir trincheiras novas, parcerias criativas e criarmos a luz no fim do túnel. Gratidão aos que participaram, ajudaram a promover e curtiram o encontro. Parabéns aos que gostariam de ter participado também. Vida longa à Literatura!
E que a APESUL consiga sempre promover, com parcerias valiosas, eventos como esses…
Eu só agradeço, Malu. Você não esteve presente, mas estava lá de muitas e belas formas. Na delicadeza dos marca-páginas presenteados a nós, na organização, e também nos seus posicionamentos duros que nos trazem reflexões necessárias.
Infelizmente, muitas vezes, me cabe fazer o papel do ADVOGADO DO DIABO.
Acredito nas levezas e mantenho o olhar constante na direção deles, porém, nem só delevezas vivemos. Elas são o refrigério necessário para aguentar a caminhada que deve ter propósito e compromisso.
Também agradeço, pois não há movimento cultural sem a união de pessoas que fazem cultura e vocês fazem cultura de primeira.
Ao meu grande amigo Adalton deixo o mmeu saudaso
abraço e peço a Deus que continue o abençoando com muita ssabedoria , e também a todos os demais escritores de Varginha.